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04/Nov/2026

Safra brasileira pode pressionar preços em 2027

Segundo a Stag International, a perspectiva de uma safra brasileira de soja de 185 milhões de toneladas em 2026/27, combinada às compras antecipadas da China nos Estados Unidos, poderá ampliar a pressão sobre os preços da oleaginosa em 2027. A oferta abundante na América do Sul poderá exigir preços mais competitivos dos exportadores brasileiros para atrair compradores de outros mercados, diante da menor necessidade de aquisições chinesas no Brasil. A fraqueza esperada para o farelo e o potencial limitado de valorização do óleo de soja também devem pressionar as cotações do grão. Uma produção de 185 milhões de toneladas, associada a estoques iniciais superiores aos previstos, resultaria em maior disponibilidade de soja brasileira para exportação em 2027. O cenário tende a se tornar mais desafiador caso a China mantenha o ritmo de compras antecipadas nos Estados Unidos, reduzindo a demanda adicional pelo produto brasileiro.

Nesse contexto, a concorrência entre exportadores deverá aumentar, pressionando os prêmios FOB, que representam a diferença entre os preços de exportação nos portos brasileiros e as cotações de referência da Bolsa de Chicago. A combinação de oferta elevada, menor demanda adicional chinesa e necessidade de maior competitividade comercial poderá provocar novas quedas nos prêmios FOB da soja brasileira. Os preços do grão também poderão precisar recuar para estimular as compras e recompor a rentabilidade das indústrias de processamento. Nos Estados Unidos, as aquisições chinesas sustentam a demanda no início da temporada. A estimativa é de que a China já tenha contratado aproximadamente 75% do volume de soja que deverá adquirir dos norte-americanos, considerando os compromissos acompanhados pela empresa. Esse ritmo aumenta a perspectiva de que as exportações dos Estados Unidos se aproximem dos 46 milhões de toneladas projetados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para 2026/27.

Entretanto, é limitado o espaço para embarques acima desse patamar, diante do crescimento esperado da oferta sul-americana. Caso as compras chinesas alcancem cerca de 90% dos compromissos até dezembro, os exportadores norte-americanos iniciarão 2027 com grande parte da demanda assegurada. Essa condição reduziria a necessidade de conceder descontos para competir com a soja brasileira, ampliando a pressão sobre os prêmios e a formação dos preços no mercado internacional. Outro fator de atenção é a relação entre as cotações da soja e de seus derivados. A Stag projeta novas quedas para o farelo, enquanto o óleo de soja apresenta potencial limitado de valorização. Com os produtos do esmagamento sob pressão, o preço da matéria-prima poderá precisar recuar para preservar margens economicamente viáveis às indústrias, manter os incentivos ao processamento e estimular a oferta adicional de óleo necessária ao atendimento das exigências de biocombustíveis dos Estados Unidos em 2027.

Diante desse cenário, a consultoria mantém perspectiva baixista para os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago. Para o vencimento de março de 2027, considera possível uma faixa de preços entre US$ 12,00 e US$ 12,20 por bushel, caso os fundos de investimento continuem reduzindo suas posições líquidas compradas, que representam apostas na valorização da commodity. Os fundos ainda mantêm posição líquida comprada elevada, mas em trajetória de redução. A posição dos gestores somava 185.400 contratos ante 206.936 na semana anterior e 241.164 um mês antes. A ausência de fatores consistentes de sustentação dos preços deixa o mercado vulnerável a novas vendas desses investidores, com potencial para intensificar o movimento de baixa. As condições climáticas também contribuem para a perspectiva de pressão sobre as cotações. No Brasil, as previsões indicam novas chuvas em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e na Região Sul, favorecendo a umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras.

O norte de Mato Grosso, contudo, ainda necessita de precipitações adicionais para eliminar os déficits hídricos. Nas regiões produtoras do Nordeste, o padrão de estiagem associado ao El Niño ainda não se concretizou. Porém, a melhora inicial das condições de umidade não garante a continuidade das chuvas nos próximos meses. Na Argentina, as precipitações beneficiaram as principais regiões agrícolas, embora persistam déficits de umidade em áreas de Córdoba, Santa Fé, Entre Ríos e Buenos Aires. Apesar da avaliação negativa para os preços, é prematuro adotar uma postura ainda mais baixista. A regularidade das chuvas até o fim de novembro e o comportamento climático em dezembro deverão fornecer indicações mais consistentes sobre o potencial produtivo da América do Sul. A manutenção de condições favoráveis poderá reforçar a pressão sobre as cotações, enquanto uma eventual deterioração do clima poderá levar o mercado a reavaliar os riscos para a oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.