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05/Nov/2026

Bolsa de Chicago: alta de 15% gera ganho de 1% em Real

Segundo o Rabobank, a valorização da soja no mercado internacional trouxe pouco alívio aos preços recebidos pelos produtores brasileiros em 2026. Entre janeiro e outubro, as cotações na Bolsa de Chicago avançaram aproximadamente 15%, mas os preços convertidos em Reais subiram apenas 1%. A valorização da moeda brasileira limitou a transmissão dos ganhos externos ao mercado doméstico e manteve a rentabilidade dos produtores pressionada, apesar dos recordes de produção e demanda. O banco destaca que as cotações superaram US$ 13,00 por bushel ao longo deste ano, patamar considerado pouco provável inicialmente. Entretanto, a valorização do Real impediu que esse movimento fosse repassado na mesma proporção aos preços em moeda brasileira. O cenário exige maior cautela dos produtores, diante da combinação de insumos mais caros, juros elevados, câmbio valorizado e retomada da presença dos Estados Unidos no mercado chinês.

Os compromissos financeiros assumidos durante os anos de expansão dos investimentos também continuam pressionando as propriedades rurais, contribuindo para o arrefecimento dos aportes no setor. Para 2027, o Rabobank não prevê melhora significativa dos preços da soja. O mercado deverá continuar sujeito a oscilações relacionadas ao clima, à geopolítica, ao câmbio e à energia. A instituição trabalha com viés moderadamente baixista para as cotações internacionais, diante de uma oferta global confortável, embora o crescimento do consumo absorva parcela importante da disponibilidade. No Brasil, a demanda industrial permanece como fator de sustentação. O Rabobank projeta que o esmagamento de soja, processo de separação do grão em óleo e farelo, alcance aproximadamente 64 milhões de toneladas em 2026/27, ante 63 milhões de toneladas na temporada anterior.

A valorização do petróleo favoreceu as margens da indústria entre janeiro e julho, mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, de 15% para 16%. A partir de agosto, entretanto, o encarecimento da soja e a maior concorrência pela matéria-prima reduziram a rentabilidade das processadoras. O cronograma de elevação da mistura permanece incerto. No mercado mundial, o crescimento do consumo deve levar a relação entre estoques e uso de soja a aproximadamente 28% em 2026/27, conforme projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse nível limita o espaço para quedas mais acentuadas das cotações internacionais, mesmo diante da disponibilidade global considerada confortável. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.