06/Nov/2026
Mato Grosso registrou o segundo início de safra de soja mais seco dos últimos 27 anos, com chuvas 33% abaixo da média histórica entre 1º de setembro e 27 de outubro, apesar do avanço do plantio no Estado. No período, a precipitação acumulada foi de 186 milímetros, ante 276 milímetros esperados. Os dados fazem parte de levantamento da EnsoAg/SmartCampo, elaborado com informações de satélite da NASA para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). A falta de umidade já afeta lavouras semeadas mais cedo, inclusive áreas que ingressaram na fase reprodutiva, embora ainda não seja possível quantificar eventuais perdas de produtividade. O alerta ocorre quando a semeadura da soja se aproxima da conclusão no maior Estado produtor do grão no Brasil. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o plantio alcançou 89,05% da área prevista para a safra 2026/27 até 30 de outubro, avanço de 13,24% em uma semana.
No médio-norte, região que inclui municípios como Sorriso e Lucas do Rio Verde, os trabalhos atingiram 99,71%. A melhora da umidade ao longo de outubro permitiu acelerar a semeadura, após um início de temporada marcado por chuvas irregulares, e não havia relatos relevantes de necessidade de replantio. O levantamento da EnsoAg/SmartCampo aponta que o período entre setembro e outubro foi o segundo mais seco da série histórica, atrás apenas de 2024. Nos 30 dias encerrados em 27 de outubro, a precipitação média foi de 124 milímetros, ante 189 milímetros esperados, déficit de 34%. Em 66% do território mato-grossense, as chuvas ficaram mais de 25% abaixo da média. Dos 23 municípios avaliados, 22 registraram volumes inferiores ao padrão histórico. A região oeste do Estado, especialmente os Parecis, concentra os maiores déficits.
Campos de Júlio acumulou 89 milímetros nos 30 dias avaliados, volume 56% abaixo da média e o menor da série histórica para o intervalo. Em Brasnorte, a precipitação foi de 80 milímetros, déficit de 54%; em Comodoro, de 88 milímetros, queda de 52%; e, em Sapezal, de 90 milímetros, recuo de 47%. Campo Novo do Parecis registrou chuvas 39% abaixo do normal. No médio-norte, onde o plantio estava praticamente concluído, Lucas do Rio Verde apresentou déficit de 44%, Sorriso, de 35%, e Nova Mutum, de 33%. A combinação de precipitações irregulares e temperaturas elevadas aumenta o risco de estresse hídrico nas lavouras. O Índice de Severidade de Seca (ISSE), calculado pela EnsoAg com base no balanço hídrico, atingiu média estadual de 0,60 na semana de 21 a 27 de outubro, o segundo maior resultado para esse intervalo na série de 27 anos.
Em 52% da área do Estado, o indicador superou 0,6, faixa classificada como moderadamente seca. Os maiores índices regionais foram registrados no sudeste (0,69), no centro-sul (0,68) e no oeste/Parecis (0,65). As chuvas entre 28 de outubro e 1º de novembro trouxeram algum alívio, mas não eliminaram o déficit. Nesse intervalo, Mato Grosso recebeu, em média, 28 milímetros, volume 22% inferior ao normal. No oeste/Parecis e no médio-norte, as precipitações permaneceram mais de 25% abaixo da média histórica. Equipes técnicas da Aprosoja-MT identificaram lavouras sob condições de baixa umidade durante visitas a áreas de Gaúcha do Norte, Sorriso e regiões do médio-norte e oeste. Além dos riscos ao desenvolvimento da soja, o tempo seco pode dificultar o controle de plantas daninhas e pragas, dependendo das condições de aplicação, e elevar os custos de manejo.
A falta de água em fases decisivas do ciclo pode comprometer o potencial produtivo, mas a entidade ressalta que ainda não existem elementos suficientes para estimar uma eventual quebra de safra. Apesar do déficit de precipitação, o Imea mantém a expectativa de conclusão do plantio dentro do período planejado, condição que favorece a implantação das lavouras de 2ª safra de milho e algodão em 2027. A entidade, porém, considera necessário acompanhar a evolução das condições climáticas durante o desenvolvimento das culturas, especialmente diante da influência do El Niño. O avanço da área semeada não representa garantia de produção elevada. O desempenho da safra dependerá da regularização das chuvas e das condições de desenvolvimento das lavouras ao longo do ciclo. Assim, embora não haja indicação de quebra neste momento, as projeções otimistas de produção ainda precisam ser confirmadas pelas condições efetivas no campo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.