09/Nov/2026
A demanda enfraquecida por farelo e óleo de soja pressiona as cotações dos derivados. Abastecidos para médio e longo prazos, os consumidores brasileiros seguem pouco interessados nas aquisições de grandes volumes. A baixa procura pelos coprodutos também pesou sobre os preços da soja em grão, que são influenciados, ainda, pela maior disponibilidade da oleaginosa no Hemisfério Norte. Por outro lado, mesmo com a intensificação da semeadura da safra 2026/27, as preocupações climáticas nas regiões produtoras brasileiras limitam e, em alguns casos, impedem, as desvalorizações da soja em grão. Na Região Sul, as atenções estão voltadas ao risco de veranicos; na Região Sudeste, ao excesso de umidade; e, no Centro-Oeste e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), à irregularidade das chuvas. Como resultado, a queda nos preços dos derivados é mais intensa do que a desvalorização da matéria-prima, o que reduz significativamente a margem de esmagamento (crush margin).
Com base nos preços do grão, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a margem da indústria é de R$ 514,01 por tonelada, queda de 6,8% nos últimos sete dias. Na Bolsa de Chicago, considerando-se os contratos futuros dos três produtos, a margem registra recuo de expressivos 9,5% nos últimos sete dias, para US$ 99,50 por tonelada. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta leve alta de 0,2%, cotado a R$ 158,53 por saca de 60 Kg. Em dólar, porém, o Indicador caiu 1,6%, para US$ 28,87 por saca de 60 Kg, reflexo da alta de 1,8% da moeda norte-americana no período. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ permanece estável nos últimos sete dias, a R$ 152,45 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os valores da soja registram recuo de 0,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), mas têm alta de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas).
Os preços dos derivados registram quedas mais intensas. O óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) registra desvalorizou 1,9% nos últimos sete dias, com média de R$ 7.047,56 por tonelada. O preço do farelo de soja, por sua vez, tem baixa de 1,8% no mesmo comparativo. Na Bolsa de Chicago, o contrato de soja em grão com vencimento em novembro/26 apresenta recuo de 3,2% nos últimos sete dias, a US$ 11,81 por bushel, o menor valor nominal desde 14 de agosto deste ano. Os contratos dos derivados com vencimento em Dez/26 também registram baixa no mesmo comparativo: o do farelo de soja cedeu expressivos 3,7%, a US$ 349,65 por tonelada, e o do óleo, 5,2%, a US$ 1.372,14 por tonelada. Nos Estados Unidos, a colheita de soja da safra 2026/27 alcançou 88% da área até 1º de novembro, 4% acima da média dos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). No Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 54,3% da área nacional de soja havia sido semeada até 30 de outubro.
Na Região Centro-Oeste, Mato Grosso cultivou 90,8% da área, acima dos 80,1% de um ano antes; Goiás, 58%, bem à frente dos 29% registrados no mesmo período de 2025; já em Mato Grosso do Sul, a semeadura atingiu 68% da área, abaixo dos 73% de um ano antes. Na Região Sudeste, a alternância entre chuvas e períodos de sol favoreceu as atividades de campo. Em São Paulo, a semeadura alcançou 70% da área, 10% acima de um ano antes; em Minas Gerais, 36,5%, ante 17,5%. Na Região Sul, o Paraná semeou 62% da área, abaixo dos 71% de um ano antes; Santa Catarina, 19,3%, ante 23%; e o Rio Grande do Sul, 11%, contra 9% no mesmo período da safra passada. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a Bahia semeou 25% da área, ante 21% há um ano; em Tocantins, os trabalhos atingiram 18%, 1% abaixo do registrado no período equivalente do ano passado. No Piauí, 3% da área foi cultivada, em linha com os 2% de um ano antes, e, no Maranhão, 9%, ante 2%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.