23/Feb/2026
O mercado brasileiro de trigo está praticamente paralisado, com a liquidez restrita no Paraná e no Rio Grande do Sul, principais polos produtores do cereal no País. O avanço das safras de verão (1ª safra 2025/2026) de soja e milho desloca o foco dos produtores e pressiona a logística, enquanto a indústria moageira, bem-posicionada com estoques para março, evita novas aquisições no spot. Uma reação mais consistente nos preços e no volume de negócios deve ocorrer apenas a partir de abril ou maio, no período de entressafra.
No Paraná, na região de Curitiba, as negociações estão totalmente travadas. Com os moinhos abastecidos para o próximo mês, as poucas referências de preço giram em torno de R$ 1.200,00 por tonelada CIF, no disponível. Para entregas em abril e maio, as indicações variam entre R$ 1.150,00 e R$ 1.250,00 por tonelada CIF. A percepção é de que, a partir de maio, o mercado vai depender mais do trigo importado e o preço deve se aproximar da paridade argentina. A importação, embora ativa, não apresenta volumes expressivos.
Navios argentinos continuam sendo nomeados para o fim de fevereiro, mas a qualidade do cereal é um desafio para os blends industriais. No Paraguai, o mercado também opera em ritmo lento pós-feriados dos Estados Unidos e no Brasil, com indicações entre US$ 195,00 e US$ 200,00 por tonelada FOB, equivalente a R$ 1.010,08 e 1.035,98 por tonelada na cotação atual, na região oeste paranaense, para embarques distantes, apenas em julho.
No Rio Grande do Sul, o cenário de vendas é igualmente lento. Na região de Ijuí, os moinhos estão com o mês de março coberto e os vendedores focados na colheita de soja. No disponível, as indicações oscilam entre R$ 1.150,00 e R$ 1.180,00 por tonelada CIF, enquanto os poucos vendedores ativos indicam R$ 1.100,00 por tonelada FOB, no interior, o que equivale a até R$ 1.220,00 por tonelada CIF. A queda na demanda e nos preços das farinhas não tem permitido correções nos preços do trigo.
Quanto às importações, o trigo argentino com nível de proteína acima de 11%, considerado de boa qualidade, é oferecido a US$ 257,00 por tonelada ou R$ 1.331,23 por tonelada CIF em Canoas, mas sem previsão de novos navios para os próximos dias. A expectativa no Estado é de que o fôlego nas vendas retorne apenas em abril, acompanhando o esgotamento dos estoques atuais dos moinhos. A exportação do Rio Grande do Sul, embora com embarques nomeados que somam 1,89 milhão de toneladas para a temporada, não registra novos negócios significativos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.