08/Apr/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a indústria moageira deve repassar ao preço da farinha de trigo o aumento dos custos em função das tensões geopolíticas que encareceram a logística. Embora cada empresa defina sua estratégia, o movimento de correção de preços é inevitável diante do atual cenário global e doméstico. A guerra no Oriente Médio afeta especialmente o setor de alimentos por causa da alta do petróleo e do gás. No caso do trigo, esse panorama se reflete no aumento generalizado do transporte marítimo e do seguro internacional, impactando um País que ainda importa 60% do cereal que consome.
Com relação aos fertilizantes, a entidade criticou o que chamou de "falta de previsibilidade estratégica do governo e do setor privado", lembrando que o Brasil depende de importações para 90% de suas necessidades. Em 2022, o governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que é insuficiente, porque prevê metade do consumo em 2050. O País não pode demorar 25 anos para chegar na metade. O Brasil perde tempo ao não consolidar parcerias com vizinhos como Bolívia, Argentina e Chile, que possuem reservas de insumos minerais, continuando dependente de regiões em conflito, como Rússia e Irã. No caso do frete interno, despesas com o escoamento de cargas tanto de trigo em grão quanto de farinha por via rodoviária decorrentes da alta do diesel.
Até mesmo insumos indiretos, como aditivos e embalagens plásticas, cujos preços estão atrelados ao petróleo, já registram altas superiores a 25%. Pode-se citar ainda a alta de preços do trigo, negociado nas Bolsas de Chicago e Kansas, e a incidência de PIS/Cofins sobre o cereal importado, que anteriormente era isento, além de uma redução de 3,24% para 2,92% no crédito presumido, benefício fiscal destinado a agroindústrias e cooperativas que industrializam o grão. Novos impostos e custos operacionais elevados terão de ser administrados pela cadeia subsequente, que envolve fabricantes de massas, pães, bolos e biscoitos.
Apesar do cenário de custos apertados, a Abitrigo descartou riscos de desabastecimento. O aumento de produção de trigo no Cerrado compensará eventuais desestímulos para o plantio na Região Sul do País. No entanto, a autossuficiência brasileira ainda é um objetivo de médio prazo. O Brasil produz em geral 50% do trigo que processa. O País não terá a autossuficiência de 13 milhões de toneladas que são necessárias para o consumo interno. O Brasil também exporta trigo e utiliza o cereal para produção de etanol. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.