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26/May/2026

Preços do trigo estão em alta no mercado doméstico

Os preços do trigo seguem acumulando altas consecutivas, sustentados pela restrição de oferta neste período de entressafra e pela postura retraída dos vendedores, devido aos possíveis impactos do El Niño na Região Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual ultrapassa os R$ 1.300,00 por tonelada, retornando aos patamares nominais observados em agosto/25. No Paraná, os valores superam R$ 1.350,00 por tonelada, voltando aos níveis registrados em meados de setembro/25, também em termos nominais. De modo geral, os produtores seguem retendo o cereal diante da expectativa de produção reduzida na próxima temporada, em meio às incertezas relacionadas ao clima. A confirmação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 mantém triticultores da Região Sul do País em alerta, devido à possibilidade de aumento das chuvas durante o período de maturação e pré-colheita do trigo.

Do lado comprador, moageiras têm aceitado os preços mais elevados oferecidos por vendedores, tanto para atender à demanda no mercado spot quanto para recompor estoques, considerando a expectativa de estabilidade do consumo interno. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (valor pago ao produtor) registram avanço de 2,66% no Paraná e 0,31% em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as elevações são de 1,7% no Rio Grande do Sul, 1,53% em Santa Catarina, 0,93% em São Paulo e de leve 0,05% no Paraná. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 15 de maio, 26,3% da área destinada ao trigo no Brasil já havia sido semeada. No Paraná, dados do Departamento de Economia Rural (Seab/Deral), divulgados em 19 de maio, apontam que 48% da área prevista já foi implantada, com 100% das lavouras em boas condições. Entre as áreas semeadas, 34% estavam em germinação e 66%, em desenvolvimento vegetativo.

A semeadura vem sendo favorecida pelas boas condições de umidade no Paraná, sem impactos significativos das geadas recentes nas lavouras já implantadas. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, iniciou-se o período recomendado para a semeadura, embora a área destinada ao cereal ainda esteja em definição. Os prognósticos consolidados para o El Niño elevam a percepção de risco climático e reforçam a possibilidade de redução da área cultivada no Estado. Em Santa Catarina, conforme a Epagri/Cepa, os produtores estão concentrados no planejamento da safra de 2026, também diante de um cenário de possível redução de área. A decisão é influenciada tanto pelo maior custo de produção, especialmente pela valorização dos fertilizantes, quanto pelos riscos climáticos associados ao El Niño, sobretudo nas fases sensíveis da cultura, como florescimento e enchimento dos grãos.

O governo da Argentina anunciou, em 21 de maio, nova redução das “retenciones” sobre o trigo, cuja alíquota passará de 7,5% para 5,5% a partir de junho de 2026. A medida busca manter elevado o volume destinado às exportações. Com isso, o volume de trigo argentino destinado ao mercado externo tende a aumentar, o que pode tornar o produto do país vizinho mais atrativo para a demanda brasileira. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a segunda semana de maio (10 dias úteis), o Brasil havia importado 366,14 mil toneladas de trigo, frente às 639,49 mil toneladas registradas em todo o mês de maio/25. Apesar do menor volume até o momento, a média diária de importações está em 36,61 mil toneladas, 20,2% acima da observada em maio/25. O preço médio de importação foi de US$ 225,11 por tonelada FOB origem, 6,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2025 (US$ 241,66 por tonelada). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.