13/Jul/2026
Os contratos futuros de trigo negociados na Bolsa de Chicago incorporaram prêmio de risco e registraram forte valorização após o aumento das tensões no Mar de Azov e no Estreito de Kerch, regiões estratégicas para o escoamento de produtos russos e ucranianos. Segundo avaliação da StoneX, o mercado deslocou o foco das preocupações geopolíticas do Oriente Médio para o Mar Negro, diante do risco de interrupções nos fluxos globais de grãos. O movimento ocorreu após ataques ucranianos contra embarcações que transportavam petróleo e derivados russos provocarem a interrupção temporária do tráfego no Mar de Azov e no Estreito de Kerch.
A reação elevou as cotações do trigo, refletindo a possibilidade de uma resposta russa direcionada ao transporte de grãos ucranianos pelo Mar Negro. Os ataques atingiram mais de duas dezenas de embarcações ligadas ao transporte de petróleo e combustíveis na última semana, volume equivalente a aproximadamente 22% da frota russa que opera na região. As ações se somam aos ataques contra refinarias em território russo, alterando significativamente o fluxo de derivados energéticos. A interrupção do tráfego foi inicialmente apontada como temporária, com expectativa de normalização após o fim de semana passado.
No entanto, o mercado acompanha a evolução do cenário, uma vez que uma eventual ampliação das restrições poderá afetar diretamente o comércio internacional de grãos. O impacto sobre o mercado de petróleo permaneceu limitado, já que cerca de 10% das exportações russas de petróleo bruto utilizam o Estreito de Kerch e predominou a percepção de que a paralisação seria transitória. No mercado de trigo, entretanto, o risco é considerado mais elevado devido à importância do corredor do Mar Negro para as exportações agrícolas.
No início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, as preocupações com a interrupção dos embarques pelo Mar Negro impulsionaram as cotações do trigo em mais de US$ 6,00 por bushel, levando os preços para níveis superiores a US$ 13,00 por bushel. Posteriormente, as cotações recuaram com a continuidade do comércio marítimo na região. Apesar da valorização, o mercado ainda não precifica um cenário de interrupção prolongada dos embarques.
O movimento foi atribuído principalmente à cobertura de posições vendidas, à entrada de compras especulativas e ao interesse de consumidores industriais, refletindo uma recomposição parcial do prêmio de risco para o trigo originado no Mar Negro. O mercado continuará monitorando a retomada do tráfego no Mar de Azov e no Estreito de Kerch. Caso a normalização ocorra nos próximos dias, a tendência é de redução do prêmio de risco. Por outro lado, uma intensificação das tensões poderá ampliar os impactos sobre o comércio internacional de grãos e sustentar novas altas nas cotações do trigo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.