14/Jul/2026
Os preços do trigo são impulsionados pela perspectiva de menor oferta global, após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir a estimativa da safra norte-americana para o menor volume desde 1970/71. No Brasil, a disponibilidade restrita da safra “velha” sustenta os preços, enquanto a desvalorização do dólar frente ao Real favorece as importações e limita altas mais expressivas no mercado doméstico. Em termos globais, o USDA reduziu levemente (-0,01%) a estimativa de produção de trigo da safra 2026/27 em relação ao relatório de junho, para 819,969 milhões de toneladas. Em comparação com a temporada 2025/26, a baixa deve ser de 2,8%. A oferta reflete principalmente a redução das projeções para os Estados Unidos e o Canadá, o que foi parcialmente compensado por revisões positivas para Rússia e Ucrânia.
Nos Estados Unidos, a estimativa de produção foi reduzida em 0,5% em relação ao relatório anterior e em 22,6% em relação à safra 2025/26, para 41,81 milhões de toneladas. Caso esse volume se confirme, será o menor da triticultura norte-americana desde a safra 1970/71. Pelo lado da demanda, o USDA elevou a estimativa de consumo mundial para 826,161 milhões de toneladas, impulsionada pelo maior uso para alimentação, sementes e fins industriais (FSI) em diversos países. O volume representa aumentos de 0,19% em relação ao relatório de junho e de 0,2% em relação à safra 2025/26. Em contrapartida, os estoques finais globais foram reduzidos para 272,843 milhões de toneladas, quedas de 0,94% na comparação mensal e de 2,2% em relação à temporada anterior. O comércio internacional foi revisado para 214,46 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao estimado em junho, embora ainda 5,5% inferior ao registrado em 2025/26.
O USDA atribui esse ajuste ao aumento das exportações da Argentina, da Rússia e da Ucrânia, que mais do que compensam a redução prevista para o Canadá. Quanto às lavouras norte-americanas, até 5 de julho, 59% da área de trigo de inverno havia sido colhida, avanço de 11% em relação à semana anterior. Para o trigo de primavera, 57% das lavouras foram classificadas entre boas e excelentes, abaixo dos 59% registrados na semana anterior, refletindo o clima mais seco e quente no norte das Grandes Planícies, importante região produtora. Nesse contexto, as cotações internacionais estão em alta. O contrato julho/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra alta de 7% nos últimos sete dias, a US$ 6,32 por bushel (US$ 232,22 por tonelada), o maior valor desde maio de 2026. Na Bolsa de Kansas, o contrato julho/26 do trigo Hard Winter apresenta valorização de 5,7%, para US$ 6,62 por bushel (US$ 243,43 por tonelada).
Na Argentina, a semeadura segue avançando em ritmo acelerado, enquanto a retração dos preços futuros nesse país reduz a atratividade das negociações antecipadas e pressiona as cotações. Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina registram recuo de 0,9% nos últimos sete dias, a US$ 225,00 por tonelada. No campo, até 8 de julho, a semeadura havia atingido 87,9% dos 6,5 milhões de hectares projetados, avanço de 7% na semana, embora ainda esteja 12,2% abaixo da média histórica. Apesar do atraso, 100% das lavouras implantadas apresentavam condição entre normal e excelente, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. O mercado brasileiro de trigo segue com negociações pontuais nos últimos dias. A oferta restrita da safra “velha”, aliada à valorização das cotações internacionais, sustenta os preços internos.
Por outro lado, a desvalorização de 1,12% do dólar frente ao Real nos últimos sete dias, a R$ 5,11, favoreceu a competitividade do trigo importado e limitou altas mais expressivas, especialmente nas negociações do mercado de lotes. Nos últimos sete dias, o preço do trigo no mercado de balcão (preço pago ao produtor) tem alta de 0,16% em Santa Catarina, permanece estável no Paraná e registra avanço de 0,04% no Rio Grande do Sul. Nos últimos sete dias, no mercado de lotes (negociações entre empresas), os preços apresentam queda de 0,87% em São Paulo e de 0,31% no Rio Grande do Sul, mas avanço de 1,39% em Santa Catarina e 0,50% no Paraná. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo no Brasil está na fase de finalização. Até 3 de julho, 90,4% da área destinada à safra de 2026 havia sido semeada. Restavam apenas os Estados da Região Sul, onde os trabalhos alcançavam 96% da área no Paraná, 88% no Rio Grande do Sul e 42,7% em Santa Catarina.
A colheita da safra 2026 atingiu 0,9% da área nacional, concentrada em Goiás, onde os trabalhos avançavam sobre 30% da área, e em Minas Gerais, com 3%. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, até 6 de julho, 79% das lavouras estavam em desenvolvimento vegetativo, 14%, em floração e 4%, em germinação, apresentando, de modo geral, boas condições de desenvolvimento. Entretanto, o excesso de umidade nas regiões oeste e sudoeste elevou a incidência de doenças fúngicas. Além disso, a baixa rentabilidade, os riscos climáticos e as incertezas de mercado reduziram a área cultivada em parte das regiões centro-oeste, norte e noroeste do estado. No Rio Grande do Sul, conforme a Emater-RS, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, o que é compatível com a época. As geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem causar danos relevantes. Em contrapartida, o excesso de umidade aumentou o risco de doenças foliares e dificultou a realização de tratos culturais em parte das áreas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.