15/Jul/2026
Segundo a StoneX, o Brasil deverá ampliar as importações de trigo na safra 2026/27 em função da redução da produção doméstica, reflexo da elevação dos custos de produção, da menor atratividade dos preços ao produtor e dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. A projeção é de retração de 16% na produção nacional e redução de aproximadamente 12% na área cultivada. O excesso de umidade previsto entre setembro e novembro representa um dos principais fatores de risco para a fase final do desenvolvimento das lavouras brasileiras. O comportamento climático está associado ao El Niño, que tende a alterar o regime de chuvas e aumentar a ocorrência de precipitações em importantes regiões produtoras. No mercado internacional, os preços do trigo na Bolsa de Chicago recuaram após as altas registradas até meados de maio.
O movimento reflete as perspectivas favoráveis para a produção na Rússia e na Ucrânia, que compensam a redução esperada na safra dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu, em seu relatório de junho, a estimativa da produção norte-americana para 42 milhões de toneladas, sendo 28 milhões de toneladas provenientes da safra de inverno. Os estoques mundiais de trigo são estimados em 275,4 milhões de toneladas, enquanto a produção global da safra 2026/27 poderá atingir o segundo maior volume da história. O USDA elevou a projeção da safra russa para 88 milhões de toneladas, mantendo o país como principal referência competitiva nas exportações e limitando o potencial de valorização dos preços internacionais. A produção da Ucrânia também apresenta perspectivas favoráveis.
Apesar desse cenário, a continuidade da guerra e possíveis mudanças na política de exportação da Rússia permanecem como fatores de incerteza para o mercado internacional. Em outros importantes produtores, fatores climáticos e econômicos restringem a oferta. Na Argentina, os elevados custos com fertilizantes e os efeitos do El Niño poderão reduzir a produção em mais de 23%. No Canadá, a migração de áreas para o cultivo de canola deverá reduzir a colheita de trigo de 40 milhões para 35 milhões de toneladas. Na Austrália, a combinação entre início do período seco e altos custos de insumos aponta para uma safra 26% menor. Na China, a escassez de chuvas no norte do país poderá elevar a necessidade de importações, enquanto o trigo também enfrenta perda de competitividade para ingredientes destinados à alimentação animal com menor custo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.