21/Jul/2026
Os preços do trigo registram leves ajustes no mercado brasileiro. De modo geral, em algumas regiões, as cotações seguem sustentadas pela retração de vendedores, que limitam a comercialização do cereal de melhor qualidade, e pelas novas estimativas oficiais, que apontam redução da produção nacional neste ano para o menor volume desde 2020. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) apresentam recuo de 0,11% no Rio Grande do Sul, mas permanecem estáveis no Paraná e em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as cotações têm baixa de 0,72% em São Paulo e 0,26% no Rio Grande do Sul, mas registram avanço de 1,03% no Paraná e de 0,05% em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, especificamente, a baixa liquidez, a demanda reduzida da indústria e o abastecimento relativamente confortável dos moinhos mantêm a pressão sobre os valores. No Paraná, a menor disponibilidade de trigo sustenta as cotações no mercado de lotes.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu em 4,5%, no relatório de julho, a estimativa da safra brasileira de trigo de 2026 em relação ao levantamento anterior, passando de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será a menor desde 2020, ficando 23,5% abaixo da registrada na safra passada. A revisão reflete, principalmente, a redução da área cultivada no Sul do País e a menor produtividade em parte do Centro-Oeste, especialmente em Minas Gerais e no Distrito Federal. Diante da menor oferta doméstica, a projeção de importações foi elevada para 6,853 milhões de toneladas. A previsão de exportações foi mantida em 1,56 milhão de toneladas. Com isso, a estimativa dos estoques finais foi reduzida para 1,3 milhão de toneladas, volume 12,5% inferior ao projetado no levantamento anterior e 27,2% abaixo do previsto para a safra de 2025. Esse cenário reforça a dependência do trigo importado e pode manter a sustentação dos preços internos ao longo da entressafra, especialmente em caso de problemas de qualidade, valorização do dólar ou dificuldades na recomposição dos estoques pela indústria.
No Brasil, a semeadura atingiu 96,9% da área destinada ao cultivo até 19 de julho, em linha com o percentual registrado no mesmo período de 2024 e com a média dos últimos cinco anos. A colheita alcançou 65% da área em Goiás e 2% em Minas Gerais. No Rio Grande do Sul, segundo dados divulgados pela Emater-RS em 16 de julho, a semeadura avançou significativamente, atingindo 93% da área cultivada e superando tanto o percentual observado no mesmo período da safra anterior quanto a média dos últimos cinco anos. As lavouras permanecem integralmente nas fases de germinação e desenvolvimento vegetativo, favorecidas pelas baixas temperaturas. Além disso, a maior incidência de radiação solar favoreceu o desenvolvimento das plantas, melhorando o aspecto das lavouras. No Paraná, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), a semeadura alcançava 99% da área prevista até 13 de julho, avanço de um ponto percentual em relação à semana anterior.
As lavouras seguiram evoluindo, com 69% em fase vegetativa, 21%, em floração e 8%, em frutificação, frente a 79%, 14% e 3%, respectivamente, no levantamento anterior. Quanto às condições das lavouras, 98% foram classificadas como boas e 2% como médias, indicando um quadro amplamente favorável ao desenvolvimento da cultura. Os preços internacionais do trigo estão em alta, sustentados pelo agravamento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro. A escalada do conflito ocorreu após a Rússia bombardear estruturas portuárias em Odessa, na Ucrânia, em resposta a ataques ucranianos contra petroleiros russos no Mar de Azov. Na Bolsa de Chicago, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter tem alta de 6,6% nos últimos sete dias, cotado a US$ 6,82 por bushel (US$ 250,87 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Setembro/26 do trigo Hard Winter registra avanço de 8,3% no mesmo intervalo, a US$ 7,32 por bushel (US$ 269,06 por tonelada).
Nos Estados Unidos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 12 de julho, a colheita do trigo de inverno atingia 67% da área, avanço de 8% em relação à semana anterior. O percentual colhido superou os 62% registrados no mesmo período de 2025 e a média dos últimos cinco anos, de 61%. Ainda nos Estados Unidos, 58% das lavouras de trigo de primavera foram classificadas como boas ou excelentes condições, 32%, como regulares e 10%, como ruins ou muito ruins. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Agroindústria registram alta de 2,7% nos últimos sete dias, a US$ 231,00 por tonelada. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura da safra 2026/27 alcançou 92% da área prevista, de 6,5 milhões de hectares, avanço de apenas 4% em relação ao relatório anterior. Apesar do progresso, as regiões central e sul seguem com atrasos na implantação de lavouras devido às condições desfavoráveis do solo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.