30/Jul/2026
O aumento das tensões no Mar Negro amplia as incertezas sobre o mercado global de trigo, em um cenário de balanço de oferta menos confortável entre os principais exportadores. A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia recoloca os riscos logísticos como fator relevante para o abastecimento internacional de trigo e milho, com possibilidade de impactos sobre custos e disponibilidade de transporte. A atenção do mercado está concentrada no Mar de Azov, corredor estratégico para o escoamento de trigo russo. Eventuais restrições à navegação, aumento dos custos de frete e seguro ou elevação da percepção de risco podem ampliar a volatilidade das cotações internacionais do cereal.
Segundo análise do Itaú BBA, o cenário logístico ganha importância diante da menor disponibilidade de trigo em outros grandes polos exportadores. Nos Estados Unidos, a seca afetou a produção de trigo de inverno, estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em aproximadamente 42 milhões de toneladas, uma das menores colheitas desde 1970. Na União Europeia, ondas de calor registradas em países como França, Alemanha, Espanha e nações do Leste Europeu reduziram o potencial produtivo das lavouras. O Canadá também deve apresentar menor produção em razão da redução de área plantada, enquanto a Argentina tende a registrar retração na safra em comparação com o ciclo anterior.
Com limitações em diferentes fornecedores, a Rússia assume posição estratégica no abastecimento mundial de trigo. O mercado acompanha a capacidade de escoamento do país entre agosto e dezembro, período considerado relevante para a definição da oferta disponível no comércio internacional. No Brasil, a nova safra de trigo se aproxima da conclusão do plantio. As condições climáticas na Região Sul serão determinantes para o desenvolvimento das lavouras e para a qualidade do grão nos próximos meses. O ambiente internacional continuará influenciando a formação dos preços domésticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.