26/Aug/2026
O Ministério da Agricultura da Rússia prepara uma proposta para suspender, até o fim de 2026, a cobrança das tarifas flutuantes incidentes sobre as exportações de trigo, cevada e milho. A medida é avaliada diante das crescentes dificuldades para o escoamento das safras pelos portos das bacias do Mar Negro e do Mar de Azov, regiões que concentram cerca de 70% dos embarques de grãos russos. As restrições logísticas nos portos do Mar Negro têm contribuído para a elevação das cotações internacionais do trigo, mas o efeito sobre o mercado doméstico russo é oposto. A dificuldade para escoar a produção e o consequente acúmulo de oferta interna pressionaram para baixo os preços recebidos pelos produtores russos. Segundo dados do centro analítico Rusagrotrans, entre 11 e 18 de agosto de 2026, o trigo norte-americano subiu US$ 15,00 por tonelada, para US$ 283,00 por tonelada.
No mesmo período, o trigo russo no Porto de Novorossiysk recuou US$ 6,00 por tonelada, para US$ 215,00 por tonelada. No sul da Rússia, o preço do trigo tipo 4 na porta da fazenda caiu para menos de 9.000 rublos por tonelada, equivalentes a US$ 106,42 por tonelada, sem IVA. O valor está significativamente abaixo do custo estimado de produção para a safra de 2026, projetado entre 12.000 rublos por tonelada, equivalentes a US$ 141,89, e 13.500 rublos por tonelada, equivalentes a US$ 159,63 por tonelada. A suspensão temporária das tarifas flutuantes busca reduzir os efeitos da restrição logística sobre a competitividade das exportações russas e ampliar o escoamento da produção acumulada. A medida também poderia contribuir para reduzir a pressão sobre os preços internos, ao aumentar a capacidade de direcionamento da oferta para o mercado externo.
O cenário evidencia uma divergência entre os mercados internacional e doméstico. Enquanto as dificuldades de embarque nas principais regiões exportadoras russas contribuem para sustentar as cotações globais do trigo, a menor capacidade de escoamento provoca excesso de oferta no mercado interno e reduz os preços recebidos pelos produtores. A eventual moratória das tarifas sobre trigo, cevada e milho dependerá da aprovação da proposta pelo governo russo e poderá alterar as condições de comercialização da safra de 2026, especialmente no sul do país, onde os preços já se encontram abaixo dos custos estimados de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.