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28/Aug/2026

Menor safra brasileira pressiona custos da indústria

A indústria de trigo de São Paulo projeta custos mais elevados na safra 2026/27, diante da combinação de fatores climáticos e geopolíticos que afetam a produção, a logística e as cotações internacionais do cereal. A redução da produção brasileira ocorre em um ambiente de maior instabilidade no mercado internacional, ampliando as pressões sobre preços, disponibilidade e transporte. Segundo o 11º Levantamento da Safra 2026/27 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo está estimada em 5,8 milhões de toneladas, queda de 26% ante a temporada anterior, o equivalente a cerca de 2 milhões de toneladas a menos. A área plantada recuou 20,4%, para 1,92 milhão de hectares, o menor patamar desde 2020. As primeiras colheitas no Paraná indicam preocupações com doenças e excesso de chuvas.

No Rio Grande do Sul, as precipitações acima da média prejudicam o desenvolvimento das lavouras e ameaçam a produtividade e a qualidade dos grãos. Para a indústria paulista, a preocupação envolve não apenas o volume produzido, mas também a qualidade do trigo disponível para moagem. A menor produção nacional deverá ampliar a necessidade de importações para atender à demanda interna, estimada em mais de 13 milhões de toneladas. O Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo) avalia que o dólar valorizado, a elevação dos preços internacionais e a volatilidade nas bolsas de Chicago e Kansas pressionam os custos da indústria moageira, com potencial de impacto sobre os preços de derivados como pães, massas e biscoitos. No mercado externo, a guerra no Mar Negro afeta a logística do trigo, enquanto o fenômeno El Niño amplia as incertezas sobre a oferta mundial.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a configuração de um El Niño de forte intensidade, enquanto a StoneX aponta elevada probabilidade de o fenômeno figurar entre os mais fortes já registrados, com ápice previsto para o fim de 2026. Na América do Sul, o excesso de chuvas nas regiões produtoras do Sul também gera preocupação para a cultura. Na Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, há registros de perda de qualidade do grão. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta redução de 19% nas exportações argentinas no ciclo 2026/27. A combinação de menor oferta brasileira e riscos à produção e à qualidade na Argentina pode aumentar a necessidade de aquisição de trigo de outras origens. A busca por fornecedores mais distantes tende a elevar os custos logísticos e ampliar a pressão sobre a formação de preços da indústria brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.