ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Aug/2026

Bolsa de Chicago: previsão para futuros do trigo

O Citi projeta o trigo na Bolsa de Chicago a US$ 7,25 por bushel nos próximos três meses e a US$ 7,75 por bushel em 12 meses, em um cenário de oferta mais apertada nos Estados Unidos e riscos crescentes no Mar Negro e na Austrália. Para 2026/27, o banco estima produção norte-americana de 1,531 bilhão de bushels, cerca de 41,7 milhões de toneladas, ante 1,985 bilhão de bushels, ou 54 milhões de toneladas, registrados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no ciclo anterior, queda de 23%. A redução da oferta nos Estados Unidos ocorre em meio à diminuição da área colhida e da produtividade. O Citi estima a área colhida em 32,1 milhões de acres, cerca de 13 milhões de hectares, ante 37,2 milhões de acres, ou 15 milhões de hectares, em 2025/26. O rendimento médio deve recuar de 53,3 para 47,8 bushels por acre, equivalentes a uma queda de 3,59 para 3,22 toneladas por hectare.

Com a menor produção, a relação entre estoques finais e consumo, que ficou em 45,1% em 2025/26 segundo o USDA, deve recuar para 37,7% em 2026/27 na estimativa do Citi. No mercado internacional, o Mar Negro adiciona pressão sobre a oferta. A Rússia deve exportar cerca de 46 milhões de toneladas de trigo nesta temporada, volume equivalente a aproximadamente 20% do comércio mundial. Ataques recentes a portos, terminais de grãos e embarcações comerciais reduziram as operações na região e elevaram os custos de seguro. As interrupções podem atrasar ou deslocar entre 10 milhões e 20 milhões de toneladas das exportações russas, equivalente a 5% a 9% do comércio global do cereal. Caso as restrições persistam durante o período de maior movimentação dos embarques, o balanço mundial poderá ficar mais apertado, dando sustentação às cotações. O clima também pesa sobre as perspectivas de oferta.

O trigo é o grão mais exposto à combinação de riscos climáticos e geopolíticos. Na Europa, calor e seca prolongados durante o enchimento dos grãos já reduziram o potencial produtivo e levaram a revisões para baixo nas estimativas para a União Europeia e o Reino Unido. Na Austrália, um El Niño forte representa risco adicional. Historicamente, episódios intensos do fenômeno estiveram associados a produtividades abaixo da tendência, em razão de condições quentes e secas em etapas importantes do desenvolvimento das lavouras. O banco também aponta possibilidade de estresse climático em partes da região do Mar Negro. É possível que haja uma normalização parcial dos fluxos pelo Mar Negro, o que reduziria parte da pressão altista. Ainda assim, o balanço de riscos para o trigo permanece inclinado para preços mais altos nos próximos seis a 12 meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.