09/Oct/2026
As dificuldades para o escoamento de trigo pelo Mar Negro continuam sustentando os preços internacionais, mesmo com as estimativas de oferta e demanda globais apontando para um cenário praticamente equilibrado na temporada 2026/27. Os entraves logísticos elevam o prêmio de risco e dificultam o acesso ao cereal, enquanto a persistência das restrições pode desestimular o próximo plantio na Rússia e na Ucrânia. As estimativas de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam oferta mundial próxima da demanda em 2026/27. O principal risco para o mercado, portanto, está concentrado na logística de exportação, com obstáculos ao transporte reduzindo a disponibilidade efetiva do trigo nos mercados compradores, apesar da existência de cereal nos países produtores. Na Rússia, os problemas de escoamento envolvem ataques a portos, ferrovias e navios, afetando as operações pelo Mar de Azov, pelo Estreito de Kerch e por Novorossiysk.
Na Ucrânia, as dificuldades atingem principalmente Odessa e os portos do Danúbio. As alternativas de transporte por países vizinhos e pela União Europeia apresentam custos mais elevados e maior tempo de deslocamento, reduzindo a competitividade do cereal da região. O Outlook 2026 da StoneX mostra a dimensão do movimento recente das cotações. O trigo negociado em Chicago passou de US$ 5,81 por bushel no fim de junho para cerca de US$ 7,70 por bushel no fim de agosto. As restrições às exportações russas ampliaram o prêmio de risco no mercado internacional, mesmo com a disponibilidade de trigo no país. O trigo russo permanece competitivo em termos de preço, mas apresenta dificuldades de acesso devido aos entraves logísticos. Nesse ambiente, a Argentina ganha espaço entre os fornecedores com disponibilidade de produto.
A menor produção norte-americana também reduz as alternativas para os compradores e aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais interrupções no abastecimento dos principais exportadores. Os efeitos podem se estender para a próxima temporada. Dificuldades prolongadas de exportação tendem a reduzir os preços recebidos pelos produtores russos e ucranianos, enquanto os custos de produção permanecem elevados. A combinação pode diminuir a rentabilidade e desestimular o plantio de trigo e milho, criando efeitos sobre a oferta futura e prolongando a influência dos problemas logísticos sobre o mercado internacional. Como fatores de contraponto à pressão de alta, permanecem a disponibilidade de trigo da Argentina, do Canadá e da Austrália. Esses fornecedores podem contribuir para ampliar as alternativas de abastecimento dos importadores e limitar a intensidade da valorização caso consigam compensar parte das restrições de oferta efetiva provocadas pelos problemas no Mar Negro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.