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09/Oct/2026

Brasil deve elevar importação de trigo em 2026/27

O Brasil deve importar 7,1 milhões de toneladas de trigo na temporada 2026/27, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aumentando a exposição do mercado doméstico às oscilações dos preços internacionais e do dólar. A menor produção doméstica deve ampliar a necessidade de compras externas e pressionar as margens da indústria de moagem. A StoneX projeta colheita de 5,8 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 26,2% em relação à temporada anterior, em um cenário de redução de 20,4% na área cultivada. Os custos elevados contribuíram para a retração da superfície plantada, enquanto o excesso de chuvas em algumas regiões prejudicou a produtividade. Com isso, as importações brasileiras devem alcançar o maior volume desde a temporada 2006/07, reforçando a dependência do mercado externo.

A qualidade do trigo também representa um fator de atenção. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade comprometeu o rendimento e a qualidade do grão. A perspectiva climática acrescenta risco à oferta externa, já que o El Niño tende a favorecer um verão mais chuvoso nas principais regiões produtoras de trigo da Argentina, principal origem do cereal importado pelo Brasil. A maior ocorrência de chuvas pode reduzir a disponibilidade de trigo de melhor padrão e elevar o prêmio pago por lotes de maior qualidade. A Argentina apresentou elevado ritmo de exportações na temporada 2025/26, mas a expectativa para 2026/27 é de uma produção ligeiramente menor, com redução dos embarques a partir de 2027. Esse cenário pode aumentar a disputa por trigo de qualidade e elevar a sensibilidade dos custos de importação brasileiros às condições de oferta no país vizinho.

O câmbio constitui outro componente relevante para a formação dos custos domésticos. A forte oscilação do dólar em meio ao período eleitoral aumenta a necessidade de acompanhamento do mercado e de gerenciamento de risco por parte dos importadores. Um Real mais valorizado reduz o custo de aquisição do trigo no exterior, mas movimentos bruscos da moeda podem alterar rapidamente a paridade de importação e dificultar o planejamento das compras. No Hemisfério Norte, a relação de troca entre ureia e trigo melhorou, condição que pode estimular o plantio de trigo de inverno nos Estados Unidos e na União Europeia. O Outlook 2026 da StoneX aponta, contudo, a ocorrência de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas na Europa. Nesse ambiente, a produtividade passa a ser o principal fator de risco para a oferta global de trigo, especialmente diante da necessidade de recomposição da produção nos principais países produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.