27/Oct/2026
Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), os moinhos do estado de São Paulo projetam repasses de até 20% nos preços da farinha de trigo entre outubro e dezembro, pressionados pela elevação dos custos da matéria-prima e por gargalos logísticos nas importações. A avaliação aponta a necessidade de recomposição das margens diante do aumento acumulado das despesas de produção. A pressão sobre os custos deverá ser transferida aos preços da farinha no curto prazo, com os reajustes distribuídos ao longo do período entre outubro e dezembro. O Moinho Santa Clara iniciou aumentos em agosto e vê necessidade de novos reajustes, entre 10% e 20%. O impacto sobre o consumidor final, contudo, tende a ser proporcionalmente menor do que a variação da farinha, devido à participação do produto na composição dos preços dos alimentos. A farinha representa cerca de 15% do preço final do pão, enquanto o trigo corresponde a aproximadamente 75% dos custos de um moinho. Essa estrutura limita a transmissão direta de aumentos da matéria-prima para o preço pago pelo consumidor.
A pressão sobre os custos é agravada pelas restrições de infraestrutura portuária nas Regiões Sul e Sudeste, especialmente no Porto de Santos (SP). O volume de trigo importado por meio do terminal para abastecer o estado de São Paulo deve superar 1,7 milhão de toneladas nesta temporada, ante a média de 1,3 milhão de toneladas, o que representa crescimento superior a 30%. Para contornar filas e a disputa por berços de atracação em Santos, os moinhos avaliam alternativas logísticas, incluindo o pagamento de demurrage, referente às diárias adicionais de permanência dos navios, e o transporte rodoviário do cereal. A concorrência por espaço no porto envolve embarcações que transportam suco de laranja e navios de passageiros durante a temporada de verão, ampliando as dificuldades operacionais para o desembarque do trigo. Além dos entraves logísticos, problemas de qualidade na safra paulista aumentam a dependência de matéria-prima importada. A indústria aguarda a consolidação da colheita argentina, prevista para dezembro, para avaliar a disponibilidade de trigo que atenda às exigências dos segmentos de panificação, massas e biscoitos.
Caso o cereal argentino não apresente os padrões necessários, os moinhos poderão recorrer a fornecedores dos Estados Unidos e do Canadá. Nesse cenário, o setor poderá solicitar a ampliação da cota de importação de trigo de fora do Mercosul com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC). Atualmente, o limite permite a entrada de até 750 mil toneladas por ano sem a incidência do imposto. Acima desse volume, na ausência de uma nova cota isenta, as importações ficam sujeitas à alíquota de 10% da TEC, além das taxas da Marinha Mercante, o que elevaria ainda mais o custo de aquisição da matéria-prima. A combinação de preços mais elevados do trigo, limitações portuárias e incertezas sobre a qualidade da oferta argentina deverá manter a pressão sobre os custos da moagem nos próximos meses. A evolução das cotações da farinha dependerá da capacidade de repasse da indústria, da regularização do fluxo de importações e da disponibilidade de trigo com qualidade adequada ao processamento industrial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.