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27/Oct/2026

Preços do trigo sustentados no mercado doméstico

A Argentina pode colher a segunda maior safra de trigo dos últimos 17 anos, apesar dos riscos climáticos. A perspectiva de ampla oferta no país vizinho, somada ao enfraquecimento das vendas externas dos Estados Unidos, pressiona as cotações internacionais. No Brasil, a queda dos preços externos e a desvalorização do dólar elevaram a competitividade do cereal importado, mas a escassez de trigo de qualidade para moagem continua sustentando os preços domésticos, que registram, em termos reais, as maiores médias mensais do ano. A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) elevou a projeção de produção argentina da safra 2026/27 de 21 milhões para 23,8 milhões de toneladas, aumento de 13,3% em relação à previsão de setembro. Se confirmado, o volume será o segundo maior dos últimos 17 anos, atrás apenas dos 28,5 milhões de toneladas de 2025/26. Somada aos estoques de passagem, de 5,2 milhões de toneladas, a oferta total alcançaria 29 milhões de toneladas. O resultado, contudo, ainda depende do clima.

A BCR alerta para a baixa radiação solar, embora as temperaturas mais amenas possam prolongar o enchimento de grãos e compensar parte desse efeito. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires, por sua vez, relata perdas de 10% a 15% em algumas áreas atingidas por geadas, com danos ainda em avaliação. Diante da perspectiva de maior oferta, os preços FOB do trigo argentino divulgados pelo Ministério da Economia registram recuo de 2,4% nos últimos sete dias, para US$ 248,00 por tonelada. Na parcial de outubro, a média é de US$ 252,13 por tonelada, baixa de 3,3% em relação a setembro/26, mas alta de 15,4% em relação a outubro/25. O enfraquecimento das vendas externas e o início da colheita no Hemisfério Sul pressionam os contratos futuros nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas de trigo da safra 2026/27 somaram 239,6 mil toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, quedas de 25% em relação à semana anterior e de 28% em relação à média dos quatro períodos anteriores.

Nesse cenário, o contrato Dez/26 do trigo Soft Red Winter na Bolsa de Chicago registra baixa de 5,4% nos últimos sete dias, a US$ 6,25 por bushel (US$ 229,65 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato de mesmo vencimento do trigo Hard Red Winter tem recuo de 5,6%, para US$ 6,64 por bushel (US$ 244,16 por tonelada). Na parcial de outubro, a média do contrato na Bolsa de Chicago é de US$ 6,66 por bushel (US$ 244,77 por tonelada), recuo de 7,2% frente a setembro/26, mas alta de 30% em relação a outubro/25. Na Bolsa de Kansas, a média é de US$ 7,12 por bushel (US$ 261,93 por tonelada), retração de 9,1% no comparativo mensal, mas elevação de 43% no anual. No Brasil, a oferta de cereal adequado à moagem permanece restrita, o que tem sustentado as cotações domésticas. A maior parte do trigo colhido apresenta padrão feed, voltado para ração animal, e vem sendo destinada à exportação. Como resultado, as médias parciais de outubro, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI), são as mais elevadas deste ano.

No Paraná, o preço médio está em R$ 1.557,44 por tonelada, avanços de 3,7% em relação a setembro/26 e de 26,3% em relação a outubro/25. No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.465,36 por tonelada, com altas de 5,4% no comparativo mensal e de 27% no anual. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.579,86 por tonelada, elevação de 4,4% em relação a setembro/26 e expressivos 34,2% acima de outubro/25. Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.518,25 por tonelada, aumentos de 6,3% no mês e de 18,6% na comparação anual. Nos últimos sete dias, especificamente, os movimentos são distintos dentre as regiões. No mercado de balcão (preço pago ao produtor), os valores se mantêm praticamente estáveis em Santa Catarina, avançam 0,23% no Paraná e registram recuo de 0,59% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociações entre empresas), há altas em São Paulo (+2,55%) e em Santa Catarina (+0,90%), mas baixas no Rio Grande do Sul (-0,43%) e no Paraná (-0,51%).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 16 de outubro, a colheita do trigo alcançava 45,5% da área nacional, avanço semanal de 2,9%. Os trabalhos já foram concluídos em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, e atingiram 85% da área em São Paulo e 60% na Bahia. No Paraná, 82% da área havia sido colhida até 19 de outubro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Das lavouras ainda em campo, 70% estavam em maturação e 30%, em frutificação; quanto às condições, 45% eram classificadas como boas, 42%, como médias e 13%, como ruins. As chuvas, a elevada umidade e a baixa luminosidade têm dificultado a colheita e influenciado no registro de doenças, resultando em perdas de qualidade e na redução do potencial produtivo. Em Santa Catarina, o boletim de outubro da Epagri/Cepa indicava 44% das lavouras em maturação, 47% em floração e 9% em desenvolvimento vegetativo, com 85% em boas condições e 15% em condições médias. Chuvas excessivas e ventos fortes provocaram acamamento, sobretudo nas áreas em maturação, e dificultaram a colheita das lavouras precoces.

No Rio Grande do Sul, a Emater-RS revisou a estimativa de produção para 2,16 milhões de toneladas, quedas de 1,7% em relação à estimativa inicial e de 37,5% em relação a 2025. A área foi ajustada para 763,1 mil hectares, com recuos de 6,3% e 34,6%, respectivamente, nas mesmas bases de comparação. Já a produtividade prevista subiu 4,9% em relação ao primeiro levantamento, para 2.833 kg/ha, mas segue 4,55% abaixo da safra passada. A forte retração da área reflete fatores como custos elevados, restrições de crédito e de seguro rural e riscos climáticos, que desestimularam o cultivo do trigo e favoreceram a substituição por outras culturas. Até 22 de outubro, a colheita no Rio Grande do Sul alcançava 19% da área, ante 9% na semana anterior, beneficiada pelo tempo seco entre os dias 16 e 18 de outubro. Os rendimentos eram satisfatórios, mas parte dos grãos apresentava qualidade abaixo do esperado, com redução do peso hectolítrico (PH) e presença de grãos avariados. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.